‘Annie’ é filme leve e em clima de alto astral

Em uma época do ano em que os espectadores se preocupam apenas com filmes indicados ao Oscar, para escolher e torcer por seus prediletos na noite de premiação, há filmes que não estão na briga da estatueta, mas que merecem ser vistos por quem procura diversão leve e despretensiosa para assistir com os filhos. Um belo exemplo é o musical infantil “Annie”, que estreia em grande circuito no dia 12 de fevereiro.

A estrela é a carismática atriz americana Quvenzhané Wallis, hoje com 11 anos, que já havia encantado o público em “Indomável Sonhadora” (Beasts of the Southern Wild), de 2012, que lhe rendeu a indicação ao Oscar. Ela protagoniza esse belo conto de fadas moderno da Columbia Pictures, dirigido por Will Gluck, que se passa em Nova York. O musical é baseado em um sucesso da Broadway, ganhador de sete prêmios Tony.  Quvenzhané é Annie, uma criança órfã em custódia com a malvada tutora Hannigan (Cameron Diaz), que dribla as dificuldades e a pobreza na Big Apple sempre com uma visão otimista da vida. Ela sempre tem a esperança de rever seus pais, que prometeram, por meio de carta entregue quando ainda bebê, de que voltariam para buscá-la um dia.
Annie-site

A guinada em sua vida se dá quando Annie é salva de um atropelamento pelo bilionário Will Stacks (Jamie Foxx), que é candidato a prefeito de Nova York e quer usá-la para subir nas pesquisas,  assumindo temporariamente sua tutela. Ele conta com a ajuda do inescrupuloso assessor de campanha Guy (Bobby Cannavale) e com a bondosa assessora, Grace (Rose Byrne). Durante a forçada convivência de aparências, Annie vai amolecendo o duro coração de Stacks com sua espontaneidade e auto-confiança.

As canções adaptadas para o português, na versão dublada, não comprometem o resultado final do filme e devem agradar o público infantil que for aos cinemas com os pais. É o caso de Lara Grossi de Biaggio, de 9 anos, que foi à pré-estreia do filme e aprovou o musical. “Gostei muito das canções e também da Annie (Quvenzhané), muito divertida”, afirmou a garota, acrescentando ainda que deve indicar o filme para as amigas de sua idade. “Gosto de musicais e não vi nenhum defeito nesse filme. É ótimo”, completou.

Jamie Foxx, Oscar de melhor ator por “Ray”, também parece muito à vontade no musical, proporcionando os momentos mais engraçados do filme. Cameron Diaz proporciona boas risadas em seu papel de amargurada ex-cantora de rock, mas está longe de ser uma vilã memorável, já que seu papel não parece ser de alguém a ser odiada como um personagem repressor – um contraponto tradicional das histórias infantis. Sua redenção final comprova isso. Nem Bobby Cannavale, como o assessor desonesto, parece assumir o posto vilanesco. Tudo isso colabora para a extrema leveza do filme, sem momentos sombrios e com muitas lições de otimismo à toda prova. Quem procura um conteúdo mais complexo, pode torcer o nariz para esse verniz superficial do musical. Mas pais e filhos que querem fugir do oba-oba carnavalesco,  vão certamente se divertir.

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Fernando Porto é jornalista, escritor, terapeuta e editor da Agência Porto de Notícias, que oferece um conteúdo jornalístico diferenciado para o público de cultura, viagens, saúde e lifestyle