Brasil e UE pesquisam tecnologia 5G

‘Estamos contribuindo para a definição de um padrão global’, diz pesquisador do Inatel que integra grupo que contribuiu para parceria entre Brasil e União Europeia nas pesquisas em 5G

celulares - sxc

O Brasil e a União Europeia assinaram essa semana um acordo de cooperação para o desenvolvimento da tecnologia 5G. A formalização da parceria ocorreu durante o Congresso Mundial de Tecnologia Móvel, em Barcelona, que reuniu as principais tendências para a próxima geração de redes móveis de comunicação. Mas as negociações em torno desse trabalho conjunto já ocorrem há tempos, com a troca de experiência entre governos e instituição de pesquisas europeias e brasileiras, como o Inatel.

O Instituto Nacional de Telecomunicações, localizado em Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais, sedia o Centro de Referência em Radiocomunicações, criado com apoio do Ministério das Comunicações e recursos do Funttel, e concentra pesquisas em comunicações móveis de 5ª geração (5G), comunicações via satélite, acesso banda larga sem fio e radiocomunicação ponto a ponto de longo alcance e grande capacidade. O Instituto já realiza trabalhos em conjuntos com instituições europeias na Itália, Dinamarca e Alemanha, em especial com a Universidade de Dresden, considerada um dos mais importantes centros de desenvolvimento da tecnologia 5G no mundo.

Os pesquisadores das instituições – Inatel e Dresden – estão unidos para o desenvolvimento de um modem 5G. Eles defendem a utilização de uma modulação digital GFDM, que pode atender aos vários cenários de aplicação da quinta geração de comunicação móvel. O coordenador de pesquisa do CRR, professor Luciano Leonel Mendes, fez seu pós-Doutorado na universidade alemã e explica que o 5G poderá ser utilizado em várias demandas: para aumentar a taxa de dados e informações que o usuário recebe no celular; no ingresso de “coisas” na rede (a denominada Internet das Coisas), com a comunicação cada vez mais comum entre máquinas; na chamada internet tátil, com o controle de objetos a partir da tela dos smartphones e a integração dos dispositivos de realidade aumentada no nosso cotidiano; e no desafio de aumentar a cobertura de acesso à rede sem fio em áreas de baixa densidade populacional, algo crítico para países de grande dimensão como o Brasil. “O que os vários centros de pesquisa estão estudando são as formas de atender a esses cenários e as necessidades específicas para essa implementação e, assim, poder elaborar uma proposta de modelo de referência mundial”.

O público leigo pode achar estranho ouvir falar em 5G quando nem mesmo as outras gerações de comunicação como 4G e até 3G estão efetivamente implantadas em vários países. Mas é importante deixar claro que quando o assunto é tecnologia as pesquisas são constantes com foco sempre no que está por vir. “Para aplicar essas tecnologias em 5G são necessárias especificações que estão sendo discutidas pelos órgãos de padronização que envolvem o mundo todo. A União Internacional de Telecomunicações prevê que a primeira versão de padrão para 5G esteja pronta até 2020 e, por isso, cada vez mais se ouve falar em pesquisas nessa tecnologia”, explica Mendes.

O coordenador geral do CRR, professor José Marcos Câmara Brito, participou das missões técnicas à Europa com o Ministério das Comunicações e outras instituições de pesquisa, realizadas no ano passado, e que contribuíram para o fechamento do acordo entre Brasil e União Europeia anunciado essa semana. Ele reforça o momento histórico que a pesquisa brasileira está passando. “Pela primeira vez podemos dizer que o Brasil está caminhando junto com o mundo para o desenvolvimento de uma tecnologia que vai mudar tudo o que conhecemos até então de comunicação móvel. Estamos contribuindo para a definição de um padrão global”.

Fernando Porto é jornalista, escritor, terapeuta e editor da Agência Porto de Notícias, que oferece um conteúdo jornalístico diferenciado para o público de cultura, viagens, saúde e lifestyle