Cinema: leia a crítica sobre ‘Ricki and the Flash’

Filme com Meryl Streep estreia hoje em grande circuito e vai agradar aos fãs

Juntar a atriz Meryl Streep, o diretor Jonathan Demme e a roteirista Diablo Cody – três vencedores do Oscar – em um mesmo filme é uma receita quase certa de sucesso. Por essa razão, é de estranhar a recepção morna da crítica americana para “Ricki and the Flash: De Volta Pra Casa”, da TriStar Pictures. Sim, estranho porque, ao assistir o filme, o espectador mais atento vai concordar que todas as engrenagens – roteiro, protagonistas, coadjuvantes, trilha sonora – parecem funcionar muito bem. E não há como sair frustado do cinema. Um palpite? Talvez porque os fãs de Meryl e Cody esperassem um resultado final que carregasse menos no amargor e mais no humor dos personagens principais, como é habitual dos longas da talentosa roteirista. Há mais lamentos e menos tiradas espirituosas. No entanto, não é algo que tira o brilho do filme.

Meryl Streep, como é de praxe, está muito bem na interpretação de uma mãe nada tradicional –  como ela mesmo se define no filme. É uma guitarrista e vocalista de uma banda de rock, usando o nome artístico Ricki Rendazzo, que larga a família – três filhos e o marido, Pete (Kevin Kline)  – muito cedo, para viver o sonho de chegar ao estrelato. Claro que a carreira não decolou como sonhava e ela vive seus dias atuais tocando com sua banda The Flash em um bar fixo, frequentado apenas por fãs da velha guarda. Seu namorado e parceiro na banda é o guitarrista Greg, vivido pelo rock star dos anos 80, Rick Springfield (com uma atuação contida, mas que não compromete).

Greg (Rick Springfield) e Ricki (Meryl Streep): casal de roqueiros decadentes, mas ainda apaixonados

Greg (Rick Springfield) e Ricki (Meryl Streep): casal de roqueiros decadentes, mas ainda apaixonados

Ricki recebe então um telefonema de Pete com a notícia de que sua filha, Julie (Mamie Gummer, filha de Streep na vida real, mas não tão boa atriz quanto ela), está passando por uma crise após o marido largá-la. A roqueira volta à Indiana para dar o apoio novamente como mãe, mas sem perder o jeito tresloucado de ser. E seguem-se sessões de roupa suja com o ex-marido Pete (metido a certinho, mas que esconde maconha no congelador), Julie, que ela descobre ter tentado suicídio; e os irmãos Adam (Nick Westrate) – que se declara gay e choca a mãe, surpreendentemente conservadora e homofóbica –  e Joshua (Sebastian Stan), que esconde seu noivado para não ter de convidar a mãe para o casamento. Há também o confronto com a segunda mulher de Pete, Maureen (interpretada pela cantora e atriz Audra McDonald), que irrita Ricki por assumir o papel de mãe perfeita para os filhos.

Julie (Mamie Gummer), Ricki (Meryl Streep) e Pete (Kevin Kline), relembrando quando eram ainda uma família feliz

Julie (Mamie Gummer), Ricki (Meryl Streep) e Pete (Kevin Kline), relembrando quando eram ainda uma família feliz

Uma ideia bem sacada do diretor Jonathan Demme foi convencer Meryl Streep, uma cantora experiente, a aprender a tocar guitarra e conviver com os outros músicos, ensaiando como uma verdadeira banda – nada de truques e playback. Um trabalho que não apenas dá mais realismo às cenas, como também torna o filme mais leve, proporcionando até no final um clima de alto astral, esperançoso para uma família em reconstrução.
Assista ao trailer:

 

Fernando Porto é jornalista, escritor, terapeuta e editor da Agência Porto de Notícias, que oferece um conteúdo jornalístico diferenciado para o público de cultura, viagens, saúde e lifestyle

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