Herman Hesse e a velhice

Obra do genial escritor reflete sobre amadurecimento, velhice e a proximidade da morte em crônicas, poesias e aforismos

“Envelhecer não é simplesmente enfraquecer e murchar. Como os demais estágios da vida, a velhice tem os próprios valores, tem magia, tristeza e sabedoria próprias. Em outros tempos de relativa florescência cultural, creditava-se à velhice, com toda a razão, certo respeito, hoje reivindicado pela juventude. Não devemos levar os jovens a mal, mas também não queremos que nos impinjam a ideia de que os velhos de nada valem”.

Em “Com a Maturidade Fica-se Mais Jovem”, Hermann Hesse dedica-se com lirismo ao último desafio de sua longa vida de escritor: aceitar graciosamente a velhice e a proximidade da morte. Os belos textos trazem histórias cheias de referências a experiências pessoais, autoanálise e confissões literárias.

A influência de Nietzsche, o conhecimento da psicanálise, a austeridade religiosa da infância e o ceticismo subsequente estão representados em impressões sobre a efemeridade e a transitoriedade do mundo. A índole acentuadamente romântica transparece nas breves histórias e em seus pensamentos. Há ainda recordações íntimas, pequenos poemas em prosa e em verso, aforismos e breves tratados filosóficos. A natureza variada dos textos escolhidos marca a pluralidade do autor e aborda a dicotomia entre corpo e mente, espiritualidade e materialismo, conflito que permeou toda a sua obra.

Hesse nos lembra, aqui, do ciclo natural da vida, da primavera dos anos e da regeneração que anualmente se repete. Algo que não deve ser encarado como motivo de tristeza, por ele próprio se encontrar no inverno da existência, e sim como uma oportunidade para proceder à transformação e à regeneração interior. Uma nova estação.

Serviço
“Com a Maturidade Fica-se Mais Jovem”, de Herman Hesse
Tradutor: Roberto Rodrigues
Páginas: 154
Preço: 32,90
Editora Record