‘Homem-Formiga’: muito humor e ótimos efeitos especiais

Shield, Hydra, Indústrias Stark, Stan Lee de figurante… Não haverá qualquer dúvida para o espectador no cinema que ele estará assistindo mais um filme da Marvel e que logo haverá uma “liga” desse interessante super-herói, o Homem-Formiga, com os Vingadores nos próximos filmes da franquia cinematográfica. Nada mais justo – e até tardio – que esse personagem seja aceito no seleto grupo de super-heróis, pois Homem-Formiga (em inglês, Ant-Man) foi um dos fundadores desse grupo poderoso nos quadrinhos da Marvel, em 1963, no primeiro título: “Avengers #1”.

 Hank Pym (Michael Douglas) e Scott Lang, alter-ego do Homem-Formiga (Paul Rudd)

Hank Pym (Michael Douglas) e Scott Lang, alter-ego do Homem-Formiga (Paul Rudd)

O fato de precisar ter um lugar de honra junto aos “Vingadores” para cumprir a fidelidade aos quadrinhos, não faz do longa de 2015 um simples remendo à cinessérie dos super-heróis Marvel porque “Homem-Formiga” tem uma boa história amparada pelo roteiro eficiente de Edgar Wright, Joe Cornish, Adam McKay e do ator Paul Rudd, que assume o papel principal de Scott Lang, o futuro herói. O personagem de Rudd já é uma das diferenças em relação aos quadrinhos originais que tinha como protagonista Hank Pym – agora como mentor de Lang, interpretado por Michael Douglas, criador do traje que encolhe o herói, mas aumenta-lhe a força e a agilidade.

E o fato de ter Paul Rudd, conhecido em comédias como “O Virgem de 40 Anos” e “Eu Te Amo, Cara”, e também o diretor Peyton Reed, responsável por filmes do mesmo gênero como “Sim, Senhor” (com Jim Carrey) e “Separados pelo Casamento” – já explica o humor acentuado do super-herói nos diálogos e no desastroso treinamento a que ele é submetido. Certamente os fãs vão torcer por um bom embate de piadas com Tony Stark (O Homem de Ferro, interpretado por Robert Downey Jr.) no já confirmado encontro em “Capitão América 3: Guerra Civil”. Há também no longa o primeiro – e divertido – confronto com um dos Vingadores.

O primeiro teste de Lang com o uniforme dentro da banheira, antes do encolhimento

O primeiro teste de Lang com o uniforme dentro da banheira, antes do encolhimento

Na história, Scott Lang é um ladrão que sai recentemente da cadeia e já se mostra um cara fracassado que perdeu a esposa Magie (Judy Greer, de “Planeta dos Macacos: O Confronto”) para o policial Paxton (Bobby Cannavale de “Chef” e “Blue Jasmine”). O único consolo de Lang é o afeto e admiração de sua filha Cassie (Abby Ryder Fortson) que acredita na redenção do pai. Depois de ser demitido de uma sorveteria, Lang reencontra seus amigos, que são verdadeiros ladrões pés-de-chinelo, liderados por Luis – outro impagável personagem interpretado por Michael Peña, que nos diverte muito com seu modo engraçado de contar histórias. Completam a “perigosa” gangue de ex-presidiários Dave, interpretado por Tip “T.I.” Harris, e Kurt, interpretado por David Dastmalchian. O grupo tenta roubar o cofre da casa do Dr. Hank Pym, sem saber que estão sendo induzidos a isso.A artimanha de Pym é para convencer Lang a assumir o traje de Homem-Formiga e impedir que o segredo seja desvendado por Darren Cross (Corey Stoll).

Stoll (de “O Legado Bourne” e da série “House of Cards) mostra-se, aliás, um vilão consistente, com frieza para eliminar pessoas em seu caminho até se tornar uma espécie de nêmesis do Homem-Formiga, como o Jaqueta Amarela. Já Evangeline Lilly (de “O Hobbit: A Desolação de Smaug” e “Lost” e ainda aqui gatíssima elevada à décima potência) não compromete como Hope Van Dyne, filha de Pym, e se mostra uma mulher de personalidade forte, infernizando a vida de Scott Lang no treinamento de herói até que a tensão comece a se tornar paixão.

Hope Van Dyne é interpretada pela belíssima Evangeline Lilly

Hope Van Dyne é interpretada pela belíssima Evangeline Lilly

Outra força inegável do longa está no bom uso dos efeitos especiais, com viagens vertiginosas do herói pelos microcosmos de fechaduras, encanamentos e jardins, além das interessantes tomadas com o exército de formigas, controladas por Scott para se infiltrarem em instalações protegidas, plantar explosivos e atacar os bandidos. E é gratificante saber que a tecnologia atingiu um patamar tão brilhante para colocar em prática ideias recorrentes da ficção científica, como essa da redução do tamanho humano, que já rendeu clássicos no passado como o instigante “O Incrível Homem que Encolheu” (1957). Um clássico, aliás, que merece ser visto pelas novas gerações assim como esse moderno e divertido início da saga do Homem-Formiga nos cinemas.

Scott Lang, o Homem-Formiga, montado em "Antony", sua formiga voadora

Scott Lang, o Homem-Formiga, montado em “Antony”, sua formiga voadora

Assista aos trailers:

O vilão Jaqueta Amarela:

Novo recruta:

O poder do traje:

 

Fernando Porto é jornalista, escritor, terapeuta e editor da Agência Porto de Notícias, que oferece um conteúdo jornalístico diferenciado para o público de cultura, viagens, saúde e lifestyle