‘O Céu é de verdade’ deve agradar cinéfilos cristãos

Assim como é preciso ser simpatizante ou adepto para ir ao cinema ver alguns dos filmes espíritas dos últimos anos – muitos bem fracos tecnicamente, vale lembrar – apenas pessoas de muita fé cristã – principalmente evangélicos – vão achar que valeu a pena o dinheiro do ingresso para “O Céu é de verdade”, que estreia hoje, dia 3, em grande circuito. Ou também deve agradar aos fãs do livro no qual o filme foi baseado: “O Céu é de Verdade” (em inglês, “Heaven is for Real”), escrito pelo pastor evangélico Todd Burpo com a escritora Lynn Vincent, e que se manteve na lista dos best-sellers do New York Times por 73 semanas. A obra, já nas livrarias do Brasil, conta o relato de Burpo sobre a experiência com seu filho, Colton, que, com três anos e meio de idade, passou por uma cirurgia grave, quase morreu e despertou contando ter ido ao chamado céu dos cristãos e conhecido Jesus Cristo, anjos e pessoas falecidas.

Connor Corum e Greg Kinnear: filho e pai em emocionante história, baseada em best seller

Connor Corum e Greg Kinnear: filho e pai em  história baseada em best-seller

O pastor Todd Burpo é interpretado pelo conhecido ator Greg Kinnear, indicado ao Oscar por “Melhor é impossível” e vencedor do Emmy por “Pequena Miss Sunshine”. Empresário, bombeiro voluntário e pastor de uma cidade pequena, ele luta para superar as dificuldades financeiras e dar conforto à família. O novato Connor Corum faz o carismático filho Colton, que é levado às pressas para o hospital para uma cirurgia de emergência, após rompimento do apêndice, e que fica entre a vida e a morte. Quando se recupera da cirurgia, começa a contar histórias sobre a sua visita ao céu, com direito a coro de anjos e conversas com Jesus.

Greg Kinnear e Kelly Reilly: casal em conflito de fé

Greg Kinnear e Kelly Reilly: casal em conflito de fé

Apesar de pregar em sua igreja o mesmo paraíso prometido, Burpo mostra ter conflitos em sua convicção religiosa, assim como sua esposa Sonja (Kelly Reilly, de “O Vôo” e “Sherlock Holmes”). O casal mostra constrangimento com as histórias contadas pelo garoto, que sofre bullying na escola. Mas começam a acreditar na experiência de quase-morte do garoto quando ele começa a descrever coisas que dificilmente saberia enquanto estava em coma, além de dar detalhes de pessoas falecidas da família.

Respeitando e deixando de lado a questão da fé evangélica, o filme, distribuído pela TriStar Pictures e dirigido por Randall Wallace (roteirista indicado ao Oscar por “Coração Valente”), seria mais bem adaptado para a televisão porque o roteiro é bem superficial e não exige muito da atuação de Kinnear, Reilly e Corum, a não ser em algumas cenas de comprovação dos relatos do garoto. Desperdiça também um elenco coadjuvante que poderia ter mais espaço no roteiro adaptado, como a ótima Margo Martindale (vencedora do Emmy pela série “Justified”) e Thomas Haden Church (“Sideways: entre umas e outras”, “Spiderman 3” e “Compramos um Zoológico”). Como pontos positivos: as tomadas aéreas da bela região do Nebraska, o carisma do ator-mirim e o bem elaborado início e desfecho com outra história paralela. Mas são pontos que não compensam a estética kitsch de paraíso e anjos, lembrando mais um dos telefilmes da Rede Record.

Para pessoas de fé cristã ou desarmadas de preconceitos religiosos, pode ser uma opção de filme leve para ir com a família, com mensagens positivas de superação. Uma típica sessão da tarde.

Fernando Porto é jornalista, escritor, terapeuta e editor da Agência Porto de Notícias, que oferece um conteúdo jornalístico diferenciado para o público de cultura, viagens, saúde e lifestyle

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