O melhor filme de heróis do ano

“Capitão América: Guerra Civil”, que estreia hoje, consegue um resultado superior ao rival “Batman vs Superman”, graças a roteiro e direção equilibrados que alternam humor, ação e drama

Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) em uma das lutas do filme contra o Soldado Invernal (Sebastian Stan)

Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) em uma das lutas do filme contra o Soldado Invernal (Sebastian Stan)

Por Fernando Porto, editor da APN 

Um trailer recente de “Capitão América: Guerra Civil” aumentou a empolgação dos fãs da Marvel com a divulgação da “ponta” do Homem-Aranha, que passa a ingressar o mesmo universo dos “Vingadores” no cinema. Mas eis que veio outra surpresa: a ponta do “cabeça de teia”, em uma versão bem mais adolescente do que na sua cinessérie, se tornou uma participação maior em um dos momentos grandiosos do filme: a luta entre dois grupos de super-heróis. Não há como não se divertir com as tiradas espirituosas que fazem a fama do Aranha (Tom Holland), que disputa com as falas também engraçadas do atrapalhado Homem-Formiga (o ator Paul Rudd).

Somente essa batalha entre 12 heróis já valeria o ingresso do filme, que estreia hoje (28/4), mas o roteiro bem equilibrado de Christopher Markus e Stephen McFeely, sob a direção esperta dos irmãos Anthony e Joe Russo (a mesma do anterior “Capitão América – Soldado Invernal “), conseguiu vencer o desafio – sempre difícil de dividir o espaço – de desenvolvimento de tantos personagens e vilões, em menos de duas horas, alternando a carga dramática necessária entre os momentos de humor, takes de ação frenética e até revelação surpreendente que pode mudar os rumos da saga “Vingadores”. O resultado comprova que é possível respeitar o leitor dos quadrinhos da história e, ao mesmo tempo, ter liberdade criativa nas telas para cativar o público leigo. Foi a falta desse roteiro bem amarrado que parece ter frustrado muitos fãs de “Batman vs Superman”, do estúdio rival DC Comics, que esperavam uma história bem mais consistente do encontro de dois grandes ícones heroicos, baseada na graphic novel marcante de Frank Miller “Batman – Cavaleiro das Trevas”.

Da esquerda para direita: Sharon Carter (Emily VanCamp), Falcão (Anthony Mackie), Viúva Negra (Scarlett Johansson), e Steve Rogers, o Capitão América (Chris Evans)

Da esquerda para direita: Sharon Carter (Emily VanCamp), Falcão (Anthony Mackie), Viúva Negra (Scarlett Johansson), e Steve Rogers, o Capitão América (Chris Evans)

 

“Capitão América: Guerra Civil” é também baseado em outra série dos quadrinhos da Marvel, “Guerra Civil” (2006), escrita por Mark Millar. A história tenta dar um caráter mais realístico ao universo fantástico dos super-heróis partindo da mesma premissa crítica do filme e série de quadrinhos “Watchmen” (, de Alan Moore, também sucesso de crítica): as centenas de vidas perdidas de pessoas comuns nas cidades são consequências das ações catastróficas dos embates nas cidades entre heróis e supervilões, entre explosões e desabamentos de prédios. Curiosamente, logo no início o general Ross (William Hurt, de “Marcas da Violência”) questiona se os Vingadores devem ser considerados heróis ou “vigilantes” – o que remete à famosa frase de “Whatchmen”: “Quem vigia os vigilantes?”.Os heróis são então pressionados a assinar um tratado da ONU para suas ações sejam controladas.

Steve Rogers,o Capitão América (Chris Evans) em uma das grandes cenas de ação do filme

Steve Rogers,o Capitão América (Chris Evans) em uma das grandes cenas de ação do filme

Steve Rogers, o Capitão América (Chris Evans) discorda do controle governamental, principalmente por achar que há uma trama terrorista para incriminar Bucky Barnes, o Soldado Invernal (Sebastian Stan) e lidera um grupo de heróis rebeldes, enquanto Tony Stark (o Homem de Ferro, sempre interpretado por Robert Downey Jr.) passa a comandar o grupo sob supervisão do governo. O conflito se torna inevitável e segredos do passado que envolvem os dois líderes servirão apenas para aumentar a tensão.

Tony Stark, o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Steve Rogers, o Capitão América (Chris Evans): de amigos a oponentes

Tony Stark, o Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Steve Rogers, o Capitão América (Chris Evans): de amigos a oponentes

A união de tantos super-heróis Marvel faz com que o filme se torne muito mais uma continuação da saga “Vingadores” do que de uma terceira aventura-solo do Capitão América que exclui apenas a presença de Hulk e Thor do filme principal. Além dos já citados, “Guerra Civil” tem o retorno de Scarlett Johansson como Natasha Romanoff/Viúva Negra; Anthony Mackie como Sam Wilson/Falcão; Don Cheadle como o coronel James Rhodes/Máquina de Combate; Jeremy Renner (Clint Barton, o Gavião Arqueiro); e Elizabeth Olsen (Wanda Maximoff, a Feiticeira Escarlate). O elenco de apoio estelar inclui – além do “Formiga” Paul Rudd, do “Aranha” Tom Holland e do “general” William Hurt – Paul Bettany como Visão; Chadwick Boseman como T’Challa e Pantera Negra; Emily VanCamp (a agente da Cia Sharon Carter); Daniel Brühl como o vilão Zemo; Frank Grillo (Brock Rumlow, Ossos Cruzados) e Martin Freeman, conhecido por seu papel na trilha “O Hobbit”, que interpreta o chefe da divisão antiterrorista, Everett Ross.

Assista ao spot de TV do filme, destacando o Homem-Aranha na luta contra o Soldado Invernal:

 

Fernando Porto é jornalista, escritor, terapeuta e editor da Agência Porto de Notícias, que oferece um conteúdo jornalístico diferenciado para o público de cultura, viagens, saúde e lifestyle