Sistema de gestão gratuito

Mercado Livre lança ERP para micro e pequenos empreendedores de seu marketplace. Na segunda fase, uma versão atenderá todo o mercado. 

Vita aérea da Melicidade, sede do Mercado Livre na Grande São Paulo

Vista aérea da Melicidade, sede do Mercado Livre na Grande São Paulo (Pedro Mascaro/Divulgação)

Um sistema de gestão – ERP – que permite aos pequenos e médios empreendedores uma economia média de tempo de 75 horas por mês e, o que é melhor, totalmente gratuito. A novidade é o Mercado Back Office Express, lançado hoje (8/2) pelo Mercado Livre, o maior grupo de e-commerce da América Latina. “O termo 100% gratuito é para valer. É só o vendedor clicar e fazer o cadastro”, garantiu Renato Pereira, diretor responsável pela nova área. “Para nós, a vantagem do serviço gratuito é atrair mais vendedores e aumentar a penetração em todos os mercados que atuamos, como o uso de etiquetas para envio de produtos, por exemplo”, acrescentou Helisson Lemos, presidente do Mercado Livre Brasil.

O Mercado Back Office Express é o principal resultado da aquisição da empresa KPL Soluções, realizada dois anos atrás, que previa o desenvolvimento de um produto que apoiasse micro e pequenos empreendedores (com volumes de cerca de 300 vendas por mês). Nesta fase inicial, o sistema está disponível aos vendedores que atuam no marketplace do Mercado Livre. Em uma segunda fase, uma versão do Express será oferecida também ao e-commerce como um todo, atendendo a lojas online próprias e outros marketplaces.

Renato Pereira, diretor do Mercado Livre Backoffice

Renato Pereira, diretor do Mercado Livre Backoffice

As ferramentas gratuitas automatizam as etapas de recebimento de pedidos; emissão de nota fiscal e cálculo de impostos; controle de fluxo de caixa; controle de estoque; conferência de pedidos e emissão de etiqueta de postagem. Segundo estudos realizados pelo Mercado Livre junto a seus vendedores, um pequeno empreendedor do e-commerce chega a gastar o equivalente a 10 dias no mês para fazer a gestão de suas vendas. Com o sistema ERP esse tempo é reduzido para o que equivale a um dia no mês. Outra vantagem é a redução de erros humanos durante a operação, evitando retrabalho, custos extras e trocas ou devoluções de produtos (logística reversa).

Com o lançamento desse produto, a empresa apresenta ao mercado a mais nova área de negócios de seu ecossistema: o Mercado Backoffice, responsável por desenvolver tecnologias para a gestão no comércio eletrônico. A nova unidade atenderá, com este lançamento, todos os portes de vendedores: micro e pequenos, com o ERP lançado hoje; e médias e grandes empresas de e-commerce, com o sistema KPL Enterprise já conhecido por centenas de clientes.

Renato Pereira cita que as pesquisas de grupo mostram que a demanda por tecnologia de gestão entre os vendedores pequenos é enorme e que os pontos críticos apontados são o controle financeiro e o de estoque. “Se essas duas partes não caminharem bem, todas as outras ficam comprometidas, dificultando um crescimento sustentável”, afirmou. Outro objetivo do ERP é dar ao vendedor mais tempo para atender seus clientes, negociar com novos fornecedores, se planejar mais.

“Os micros e pequenos empreendedores do Mercado Livre já vêm registrando crescimento médio de 41% ao ano, de acordo com as últimas pesquisas encomendadas pela companhia ao Ibope Conecta. Ou seja, são lojistas extremamente competentes. Esperamos ajudá-los a conquistar percentuais de crescimento ainda maiores”, declarou Lemos.

Helisson_Lemos, presidente do Mercado Livre Brasil

Helisson Lemos, presidente do Mercado Livre Brasil

Com o lançamento do sistema ERP, o Mercado Livre fortalece o seu portfólio de serviços oferecidos aos vendedores do seu marketplace. Desde o lançamento do Mercado Pago, sistema de pagamentos, em 2004, o Mercado Livre vem ampliando essa oferta de serviços para além da plataforma de marketplace. De lá para cá, o Mercado Livre vem oferecendo serviços de Classificados, Publicidade, criação de lojas online, logística e, agora, sistemas de gestão.

Crescimento em 2016
Segundo o presidente da companha, oferecer um ecossistema forte de serviços para o e-commerce é um dos principais fatores do crescimento da companhia no país – que foi de cerca de 60% nos últimos três trimestres de 2016. “São esses serviços que melhoram constantemente a experiência de comprar e vender no marketplace do Mercado Livre. Vendedores de todos os portes e segmentos têm acesso ao ecossistema, e quem ganha com isso, no final, é o consumidor”.

Os vendedores do Mercado Livre que se enquadram no perfil de usuários do Mercado Backoffice Express podem obter mais informações sobre o novo produto e se cadastrar para uso pelo site: www.mercadobackoffice.com.br.

Um mercado sem crise
Pesquisa Mercado Livre/Ibope Conecta mostra que 77% dos micros e pequenos empreendedores do comércio eletrônico cresceram 41% em vendas em 2016. Em 2017, 94% dos entrevistados esperam crescer seus negócios online a uma média de 35%. Além disso, 48% afirmam que pretendem fazer novas contratações este ano.

A terceira edição do estudo, realizado com 512 empreendedores MPMEs (Micros, Pequenas e Médias empresas) em todo o Brasil aponta que 77% dos entrevistados que declaram ter crescido em vendas registraram um crescimento médio de 41%. Cerca de 20% não registraram crescimento e 3% não souberam responder.

O otimismo aumenta na comparação com os anos anteriores: 94% dos entrevistados esperam crescer neste ano – a uma média de 35%. Este é o maior percentual de entrevistados otimistas registrado na pesquisa (em 2016, 84% dos entrevistados apostavam crescer suas vendas; e em 2015, 87%). As principais razões para o crescimento das vendas são, para eles, a diversificação dos produtos à venda (77%), a oferta de frete grátis (38%); participações em promoções (36%); e a oferta de formas de pagamento mais atraentes.

Existe também um otimismo em relação ao crescimento do setor de e-commerce como um todo: 79% dos entrevistados acreditam que o setor crescerá em média 25%. Entre os fatores mais apontados por eles estão a percepção de maior segurança na compra online (76%); aumento no número de pessoas com acesso à internet (69%); crescimento no número de usuários de smartphones e tablets (64%); maior investimento em marketing (57%); e a busca por mais ofertas online no cenário atual da economia (56%).
Otimismo também com contratações em 2017

Ao contrário do ano anterior, os empreendedores se mostram mais dispostos a aumentar suas equipes em 2017. No ano passado, 37% planejavam realizar contratações – percentual que passa para 48% nas expectativas para este ano. A parcela de entrevistados que não pretendia contratar em 2016 (27%) passa, em 2017, para 20%. As que não sabem responder passam de 37% para 32%. Apesar disso, as equipes se manterão pequenas: 59% possuem até três funcionários; 9%, de quatro a cinco; 8%, mais de seis; e 25% são empresários que trabalham sozinhos. Nos últimos três anos, houve uma redução na quantidade de empresários que têm de quatro a cinco funcionários (de 16% em 2015 para 9% em 2017).

Perfil dos entrevistados
Os empreendedores pesquisados são do perfil MPMEs (Micros, Pequenas e Médias Empresas). O faturamento anual dos entrevistados tem as seguintes variações: 33% faturam abaixo de R$100 mil; 32% faturam de R$ 100 mil a R$ 250 mil; 14% de R$ 250 mil a R$ 500 mil; 10% faturam de R$ 501 mil a R$ 1 milhão; 6% de R$ 1 milhão a 2 milhões; e 4% faturam acima de 2 milhões por ano.

Fernando Porto é jornalista, escritor, terapeuta e editor da Agência Porto de Notícias, que oferece um conteúdo jornalístico diferenciado para o público de cultura, viagens, saúde e lifestyle